Direção exige renúncia: o preço que poucos homens aceitam pagar

Todo discurso sobre direção costuma parar antes do ponto mais incômodo.

Escolher tem um preço
E o custo não é baixo.

Por isso tantos homens preferem permanecer “em aberto”, chamando indecisão de prudência e liberdade de maturidade. No fundo, não é nenhuma dessas coisas. É medo de perder versões possíveis de si mesmo.

Escolher não dói apenas porque pode dar errado.
Dói porque fecha portas, inclusive portas que nunca foram realmente vividas, apenas imaginadas.

Ao definir uma direção, um homem abandona outras trajetórias possíveis.
Carreiras que não serão seguidas, só porque precisam de um emprego.
Vidas que não acontecerão.
Identidades que morrem sem cerimônia.

Esse luto silencioso assusta e assusta mais do que o fracasso.
Porque o fracasso ainda preserva a fantasia do “e se”.
A escolha definitiva não, ela tem uma unica rota.

Por isso tantos homens permanecem indefinidamente analisando, testando, começando e largando. Eles não estão confusos, estão tentando preservar todas as versões possíveis de si mesmos ao mesmo tempo.

O problema é que isso cobra um preço alto.

Manter todas as opções abertas parece seguro, mas impede profundidade.
Nada cresce quando a energia está espalhada.

Homens que não renunciam vivem colecionando começos.
Cursos iniciados. Projetos engavetados. Relacionamentos não duradouros.
Muito movimento, pouca construção.

Homens que escolhem constroem algo sólido que permanece, justamente porque aceitaram perder todo resto.

Força masculina não está apenas no que um homem faz.
Está principalmente no que ele decide não fazer, e as vezes isso é uma escolha difícil.

Dizer “não” para oportunidades ruins é fácil porque é notório.
Difícil é recusar boas oportunidades que desviam daquilo que está sendo construído.

É aqui que a maioria de nós falha.

Um homem sem direção aceita quase tudo.
Um homem direcionado filtra quase tudo.

Esse princípio não é novo.

Trazendo algo histórico, quando Roma começou a se expandir, ela não absorveu indiscriminadamente todas as culturas, valores e estruturas que encontrava. Houve escolhas claras: hierarquia, disciplina, dever, ordem. Isso significou renunciar a outras formas de organização possíveis. O império pagou o preço da rigidez, mas construiu algo duradouro justamente por não tentar ser tudo ao mesmo tempo.

Toda grande construção exige uma exclusividade.
Nada grandioso nasce da dispersão.

Renunciar não empobrece a vida, não a deixa de viver,
Ela te concentra no propósito.

A ausência de direção cobra juros diários:
tempo desperdiçado, uma sensação constante de estar atrasado na própria vida.

A direção, por outro lado, cobra um preço inicial:
desconforto, solidão em alguns momentos, perda de aprovação.

Homens maduros escolhem qual custo pagar.
Os outros apenas pagam o custo invisível todos os dias.

2 comentários em “Direção exige renúncia: o preço que poucos homens aceitam pagar”

  1. Um grande exemplo é seguir Cristo; na teoria é fácil, mas na prática não. É preciso muita coragem para realmente conseguir abrir mão de todos os caminhos e seguir apenas um. Todas as suas vontades e desejos egoístas são anulados com essa escolha. É preciso muita coragem para não viver em solidão, e sim em comunhão. Para não ser o dono da sua própria vida. Para não decidir nada, até mesmo sobre sua família.

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