O homem que evita escolher: por que decidir assusta mais do que fracassar

Existe um tipo de homem que não está exatamente perdido.
Ele trabalha. Cumpre horários. Paga contas. Mantém a vida funcionando.

Por fora, parece estável.
Por dentro, está suspenso.

Não é que ele não saiba que algo está errado.
Ele sabe.
O problema é que ele evita escolher.

E isso quase ninguém fala.

Esse estado de suspensão não surge do nada.
Ele é parte do que chamo de o homem sem direção — alguém que não está perdido por falta de opções, mas por evitar assumir um caminho.

A ilusão da segurança

Escolher é assumir consequências.
E consequências assustam mais do que o fracasso em si.

Muitos homens preferem uma vida previsivelmente insatisfatória do que uma decisão que pode dar errado. Não porque sejam fracos — mas porque foram treinados a confundir segurança com virtude.

Ficar onde está dói.
Mas sair exige coragem, e coragem cobra um preço imediato.

Fracassar, pelo menos, dá uma narrativa.
Decidir dá responsabilidade.

O conforto da indefinição


Enquanto você não escolhe, você não se compromete.
Enquanto não se compromete, você não se expõe.
Enquanto não se expõe, ninguém pode apontar o dedo e dizer: “foi você que decidiu isso.”

A indefinição cria um abrigo psicológico.

É por isso que tantos homens ficam anos dizendo:

Essa fuga aparece de forma prática na vida profissional.
Muitos homens aceitam qualquer trabalho, qualquer rotina, qualquer desgaste — não por ambição, mas por medo de decidir.
Falo disso com mais clareza em Aceitar qualquer trabalho não é ambição, é fuga

  • “Ainda estou pensando”
  • “Não é o momento”
  • “Quando as coisas melhorarem”

Não é falta de clareza.
É medo de assumir autoria da própria vida.

Uma lição antiga (e esquecida)

Os estoicos já falavam disso há mais de dois mil anos.

Epicteto dizia que não são os eventos que nos paralisam, mas o julgamento que fazemos sobre eles. Decidir é aceitar que você pode errar — e que mesmo assim seguirá responsável.

Na Roma Antiga, a maior desonra não era perder uma batalha.
Era evitar a batalha.

O homem que não escolhe não perde…
mas também não vive.

Decidir é cortar possibilidades


Toda escolha é uma renúncia.
E renunciar dói.

Quando você escolhe um caminho, você mata outros.
Mata versões de si mesmo que nunca existirão.

Isso gera luto.
E ninguém ensinou os homens a lidar com esse luto silencioso.

Então eles ficam no meio do caminho.
Nem aqui, nem lá.

Não por ignorância.
Mas por apego às possibilidades não vividas.

O fracasso é mais honesto que a estagnação

Fracassar dói.
Mas estagnar corrói.

O fracasso é um evento.
A estagnação vira identidade.

Com o tempo, o homem não diz mais “estou parado”.
Ele passa a dizer “sou assim mesmo”.

É aí que a direção se perde de vez.

Uma conversa direta

Se você está lendo isso e sentiu um incômodo, é um bom sinal.

Talvez você não precise de mais informação.
Talvez não precise de mais motivação.
Talvez precise apenas admitir algo simples:

👉 Você está evitando escolher porque escolher te colocaria em risco.

E viver sempre foi arriscado.

O próximo passo não é grandioso

Escolher não significa mudar tudo amanhã.
Significa parar de se esconder atrás da espera.

Uma decisão pequena, mas consciente, vale mais do que anos de clareza sem ação.

Como já dizia Sêneca:

“Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos.
É porque não ousamos que elas são difíceis.”

1 comentário em “O homem que evita escolher: por que decidir assusta mais do que fracassar”

  1. Pingback: O preço silencioso de viver sem direção - mentorheroi.com

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